sexta-feira, 20 de julho de 2007

Coimbra-Chaves - 18 Julho 2007

O meu pai acorda-me dizendo que 9h30 é tarde. Despacho-me o mais que posso e saímos às 10h20 em direcção a Chaves. Não parámos pelo caminho e às 13h estamos estacionados à frente ao Hotel da minha mãe. Único facto a reparar na viagem é que a auto-estrada está completa até Chaves. Ainda em Maio a caminho de Espanha tive de fazer um desvio de meia-hora porque uma das pontes não fora ainda inaugurada.
Seguimos os três directos para o almoço. Sopa, bacalhau e abacaxi e sesta logo a seguir. O meu quarto é pequeno mas asseado e com casa de banho. Um bar vizinho debita musica tecno toda a tarde. Esqueço-me de um rock rural que acabara de compor mas aponto a letra. Não consigo propriamente dormir porque entre o tecno e o telefone não há descanso nesta terra, mas a dor de cabeça matinal esvanece e a temperatura amena ajuda a querer sair. Profissional sigo à procura de internet. No primeiro bar negam-me a hipótese de ligar o meu computador e a busca continua. Depois de vários pedidos de informações sigo à procura dos correios e da biblioteca pelo lado de fora da muralha. O céu azul está sarapintado de nuvens e o verde do jardim com o castanho gasto da muralha fazem-me tirar a máquina de fotografar da mochila. Vou andando e fotografando até que uma senhora com alguma idade me pergunta se alguém na minha família tem infecções urinárias, respondo que eu saiba não e ela mostra-me as plantas que está a apanhar do jardim público. Começa-me a falar da planta, depois de outras plantas e formas simples de curar outras coisas menos complicadas e sento-me a conversar com ela. Como é costume a norte do Mondego, passado meia-hora conta-me a vida toda, incluindo que é mãe do pintor Mário Lino e que tem uma quinta com uma fonte única que caso eu queira posso ir fotografar. Enquanto me acompanha à biblioteca lê-me alguns poemas que escreveu e outros que apontou, ditados por uma senhora de 87 anos. Falam da morte com uma ligeireza que só quase nove décadas permitem. Deixa-me na biblioteca e combinamos eu ligar no dia seguinte para marcar um jantar na Quinta de Samaiões.
A biblioteca está prestes a fechar mas como eles não desligam o modem sem fios acabo por ficar à porta da biblioteca a trabalhar.
Passado um bocado aparecem os meus pais que vão jantar junto à ponte romana. Combino ir lá ter e vou fotografar o pôr-do-sol do castelo. As andorinhas em bando fazem tanto barulho como gaivotas à volta da traineira e entretenho-me durante um bom bocado. Já mais escuro sigo para o restaurante, aproveito para lhes mostrar as fotografias de Bruxelas e de seguida vamos às termas beber a água quente da noite.
O meu pai boceja tanto que vai quase de olhos fechados até ao hotel. Deixo-os à porta e dou uma pequena volta antes de voltar para o quarto. Amanhã será um dia comprido mas em Chaves raramente isso não é um bom sinal.

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